Roraima e a nova geografia do ouro ilegal no Brasil
O dia 2 de dezembro de 2025 parecia destinado a ser apenas mais uma terça-feira comum na rotina de fiscalização de agentes da Polícia Federal e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em Boa Vista. Como tantas outras operações de monitoramento, o deslocamento até a Fazenda Timbó — uma pista de pouso para pequenas aeronaves nos arredores da capital de Roraima — fazia parte de um protocolo já conhecido. No entanto, como costuma acontecer quando falamos de economia ilegal, território e fronteiras, a normalidade durou pouco. O avião que estava sob observação simplesmente não seguiu o plano de voo original. Em vez de pousar na fazenda, alterou a rota e aterrissou no Aeroporto Internacional de Boa Vista. Esse desvio inesperado foi o primeiro indício de que algo estava fora do lugar. Rapidamente, uma equipe foi deslocada ao aeroporto. Ao abordar a aeronave, a explicação para a mudança repentina apareceu de forma concreta e pesada: 51 quilos de barras de ouro , transportados sem qualquer...