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Mostrando postagens de junho, 2025

Irã e Israel: História, Revolução e o Eco das Tensões

Em uma declaração recente, Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, voltou a mencionar uma retórica que ressoa há décadas nas complexas relações do Oriente Médio. Segundo ele, seria possível “acabar com o regime que controla o Irã”, um governo que, em suas palavras, “é muito fraco” e conta com um povo disposto a “expulsar esses bandidos teológicos”. Chegou, inclusive, a sugerir abertamente o assassinato do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, como uma solução para o impasse que persiste há mais de quatro décadas. Esse discurso não é uma anomalia, mas a continuidade de um embate simbólico e geopolítico que transcende fronteiras, religiões e gerações. Contudo, entender esse embate exige muito mais do que analisar a superfície dos discursos. É necessário, como historiador, voltar os olhos para o passado, compreender suas camadas, os processos que moldaram o presente e, quem sabe, antever os cenários futuros. De uma monarquia secular à teocracia revolucionária Para ent...

Trump vs. Newsom: a crise em Los Angeles e os limites do poder federal

A Califórnia em chamas políticas Em meio a protestos acalorados nas ruas de Los Angeles contra as políticas migratórias da Casa Branca, um novo capítulo se desenrola na já tensa relação entre o governo federal e o Estado da Califórnia. O que começou como manifestações populares contra as batidas do ICE — o Serviço de Imigração e Controle Alfandegário — rapidamente se transformou em um confronto institucional entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o governador californiano, Gavin Newsom. Mais do que um embate entre personalidades, o episódio revela uma fratura profunda na federação norte-americana, expondo os limites, os conflitos e as ambiguidades do federalismo em tempos de radicalização política e tensão social. A faísca: mobilização sem consenso O estopim da crise foi a decisão de Trump de mobilizar a Guarda Nacional em Los Angeles no domingo, 8 de junho, sem o consentimento do governo estadual. A medida, articulada sob o amparo jurídico do Título 10 do Código d...

Crise migratória e militarização em Los Angeles expõem dilemas dos EUA

Enquanto o sol poente de junho alaranjava os céus de Los Angeles, mais de 2.000 soldados da Guarda Nacional ocupavam posições estratégicas na cidade. Ao mesmo tempo, 700 fuzileiros navais foram colocados em prontidão para eventual mobilização. A imagem é chocante, mas não inédita. A maior cidade da Califórnia — e segunda maior dos Estados Unidos — está no centro de uma tempestade política, social e institucional que reacende antigos fantasmas da história americana: a tensão entre o federalismo e o poder central, o tratamento dado aos imigrantes e o uso da força como linguagem política. A atual crise começou com uma série de protestos contra as políticas anti-imigração do governo Donald Trump, que entraram no quarto dia consecutivo em 9 de junho. Esses protestos, no entanto, são mais do que manifestações pontuais: refletem a profunda fratura geopolítica interna entre um governo federal conservador e Estados como a Califórnia, que adotam uma postura progressista e inclusiva em relação ...

A Colômbia entre feridas antigas e novas tensões políticas

Do lado de fora da Fundação Santa Fé, em Bogotá, o silêncio só é rompido pelo som suave das preces. Flores, velas e bandeiras nacionais se acumulam como um gesto coletivo de esperança. O nome que ecoa ali, com pesar e apreensão, é o de Miguel Uribe Turbay — senador colombiano de 39 anos, baleado durante um ato político no sábado, 7 de junho. Internado em estado gravíssimo, seu destino se tornou o símbolo de uma nação novamente à beira do abismo político. Mais do que um atentado isolado, o ataque a Uribe revela um cenário tenso, onde o confronto entre instituições, partidos e discursos ganha contornos de guerra simbólica — e, por vezes, literal. O autor do disparo, um jovem menor de idade, já está sob custódia. Mas o verdadeiro foco do debate nacional agora está nas motivações e no que esse ato representa no contexto sociopolítico da Colômbia. Um país em suspense Desde que o tiro foi disparado, a Colômbia vive uma espécie de transe coletivo. A pergunta não é apenas quem apertou o ga...

Insetos Comestíveis: A Revolução Proteica do Futuro

Durante milênios, os seres humanos buscaram fontes de alimento que garantem nutrição, sabor e disponibilidade. À medida que a população mundial cresce — estimada para ultrapassar os 9 bilhões até 2050 — e os recursos naturais se tornam mais escassos, surge uma pergunta incômoda, mas necessária: será que o futuro da alimentação humana pode estar nos insetos? Pode soar estranho, até mesmo repulsivo para alguns, mas a resposta pode ser um sonoro "sim". A entomofagia — o consumo de insetos por humanos — vem conquistando espaço no debate sobre segurança alimentar e sustentabilidade. Embora pareça uma novidade para o Ocidente, essa prática já é comum em diversas culturas do mundo, especialmente na Ásia, África e América Latina. Desde 2014, quando a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) publicou o influente relatório Edible Insects: Future Prospects for Food and Feed Security , a discussão sobre o papel dos insetos comestíveis no sistema alimentar ...

Protecionismo, populismo e ISI: Trump e os ecos latino-americanos

Quando Donald Trump decidiu resgatar instrumentos legais antigos para impor tarifas sobre produtos estrangeiros e incentivar a instalação de fábricas no território americano, muitos viram nessa decisão um retorno a uma lógica econômica considerada ultrapassada. Mais ainda: analistas atentos identificaram ecos claros das políticas industriais adotadas por líderes latino-americanos do século XX, como Juan Domingo Perón na Argentina e Getúlio Vargas no Brasil. Mas o que está por trás dessa reedição do nacionalismo econômico? Por que o protecionismo, mesmo desacreditado por parte da academia e do mercado, continua ressurgindo como resposta a desafios contemporâneos? Para compreender o fenômeno, é necessário voltar ao conceito de industrialização por substituição de importações (ISI) . Essa estratégia foi central para diversos governos da América Latina entre as décadas de 1930 e 1970, período marcado por instabilidades internacionais — como a Grande Depressão e as Guerras Mundiais — e pe...

Portugal fecha as portas: o fim da era da migração aberta

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Durante quase uma década, Portugal foi símbolo de abertura e acolhimento na Europa. Em meio a uma União Europeia marcada por ondas de nacionalismo, o pequeno país ibérico ganhou notoriedade por sua política migratória generosa, especialmente com cidadãos dos países lusófonos, como o Brasil. Porém, esse cenário mudou radicalmente nos últimos meses. De uma política de “portas abertas” à imigração para uma maratona de expulsões em massa , Portugal agora traça um novo rumo — mais fechado, mais seletivo, e, para muitos, mais excludente. A guinada é significativa não apenas pelas cifras envolvidas, mas sobretudo pelo que revela: a transformação demográfica de Portugal, a reconfiguração de sua identidade cultural e o ressurgimento de discursos nacionalistas em meio a um país que sempre se orgulhou de sua herança global. O choque dos números: 33.983 ordens de expulsão Em 2 de junho de 2025, o governo português anunciou a expulsão de quase 34 mil imigrantes que tiveram seus pedidos de resid...

Ataque a Miguel Uribe Turbay: uma ferida aberta na Colômbia

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[caption id="" align="alignleft" width="324"] Miguel Uribe Turbay é um dos jovens políticos de maior prestígio da Colômbia[/caption] No coração político da Colômbia, onde a democracia ainda luta para se consolidar em meio às tensões históricas entre violência e esperança, um novo e trágico capítulo se desenhou. Em pleno ano de 2025, menos de doze meses antes das eleições presidenciais, um atentado em Bogotá reacendeu os fantasmas de um passado que muitos julgavam superado. Miguel Uribe Turbay, senador e candidato à Presidência da República, foi alvejado enquanto discursava num comício público, diante de centenas de apoiadores, na localidade de Fontibón — zona populosa da capital colombiana. Esse evento, embora possa parecer um episódio isolado, inscreve-se numa longa e dolorosa narrativa latino-americana: a dificuldade de construir instituições democráticas sólidas em meio a polarizações políticas, desigualdades profundas e uma cultura política frequente...